PLANOS DE GOVERNO, MARKETING POLÍTICO E DISPUTA SIMBÓLICA: COMUNICAÇÃO POLÍTICA NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS DE SANTA CRUZ DO SUL (2020–2024)
Resumo
Este artigo analisa os planos de governo apresentados nas eleições municipais de Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul, em 2020 e 2024, buscando compreender sua relação com o desenvolvimento regional a partir das dimensões território, instituições, governança e capacidades. Parte-se da compreensão de que o plano de governo não constitui apenas documento formal exigido para o registro eleitoral, mas artefato político e comunicacional no qual se articulam diagnósticos territoriais, demandas sociais, estratégias de legitimação e compromissos de gestão. A pesquisa adota abordagem qualitativa e articula análise documental, análise de conteúdo e entrevistas semiestruturadas com atores posicionados no campo político e comunicacional local, preservando seu anonimato. Os resultados indicam que os planos apresentam natureza híbrida: podem cumprir função protocolar e, simultaneamente, organizar prioridades, mobilizar reconhecimento político e alimentar instrumentos formais de planejamento. As entrevistas evidenciam tensões entre promessa e capacidade de execução, entre circulação comunicacional e leitura efetiva dos documentos e entre demandas municipais e responsabilidades regionais. A análise sugere que a contribuição dos planos para o desenvolvimento regional depende de sua capacidade de articular reconhecimento do território, participação institucional, mecanismos de governança e condições administrativas, políticas e financeiras de implementação. Conclui-se que os planos podem constituir ponte entre competição eleitoral e planejamento público quando acompanhados por transparência, monitoramento e integração aos instrumentos municipais e regionais.
Palavras-chave: Desenvolvimento regional. Território. Governança. Planos de governo. Capacidades.
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