EXPLOSÃO VERSUS OPORTUNIDADE DEMOGRÁFICA: LIMITES CONCEITUAIS DIANTE DA AUTOMAÇÃO E DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Resumo
A chamada “oportunidade demográfica”, tradicionalmente apresentada como uma importante janela de crescimento econômico decorrente da elevada proporção da população em idade ativa, constitui um dos conceitos mais influentes da economia do desenvolvimento nas últimas décadas. Contudo, a expansão da robótica, da inteligência artificial e da automação cognitiva tende a alterar a relação histórica entre população, trabalho e produção, reduzindo progressivamente a importância da quantidade absoluta de trabalhadores como fator determinante do crescimento econômico. Argumenta-se que a redução do crescimento populacional não deve ser automaticamente interpretada como perda de uma oportunidade econômica, sobretudo quando acompanhada por ganhos de produtividade. A comparação entre Brasil e Japão ilustra a necessidade de relativizar a associação tradicional entre crescimento populacional e crescimento da renda. O artigo examina também a dimensão territorial do problema e propõe, como hipótese, que os ganhos da automação se concentrem nos territórios que já dispõem de capital, infraestrutura digital e mão de obra qualificada, com efeitos desiguais sobre um sistema previdenciário financiado em grande parte pelo trabalho formal. O artigo sustenta, por fim, que o principal desafio das próximas décadas não será necessariamente produzir uma população suficientemente numerosa para sustentar a economia, mas adaptar instituições, sistemas previdenciários e mecanismos de distribuição de renda a uma economia na qual o capital tecnológico e o trabalho automatizado terão participação crescente na produção.
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